LAPSO DE TEMPO
Também conhecido como “time lapse”, ou ainda “fast motion”, esta técnica consiste em “pular” períodos de tempo na captação de uma determinada tomada, de forma a fazer com que o intervalo entre um quadro e o próximo seja maior que o normal. Na prática, o que ocorre é uma diminuição no frame rate de captação. Desta maneira, para o mesmo tempo decorrido, obteremos um número menor de quadros. Ao exibirmos, em velocidade padrão – em vídeo, 24 quadros por segundo ou 30 quadros por segundo - as imagens captadas com esta técnica, visualizaremos a tomada em alta velocidade, dando-nos a sensação de os fatos ocorrerem rapidamente.
Muito utilizado para simular passagens de tempo, o fast motion é ferramenta indispensável em diversas situações de captação. Flores desabrochando em apenas alguns segundos, movimento acelerado de nuvens ou do sol se pondo, palcos sendo montados e multidões atravessando avenidas são algumas das suas utilizações mais corriqueiras.
Embora seja uma técnica bastante simples e antiga, o lapso de tempo permanece atual, agregando valor em obras audiovisuais que necessitem alterar a percepção do tempo. Cálculos precisos garantem a total manipulação da tomada. Um exemplo: utilizando-se uma câmera gravando a 24 quadros por segundo é possível condensar todo um dia (24 horas) em uma tomada de apenas 1 minuto, se captarmos um quadro a cada minuto.
Documentários de vida natural também costumam abusar do seu uso; alguns documentaristas conseguem imagens de rara beleza, aliando esta técnica a um suave e automático movimento de câmera planejado com precisão e efetuado por meio de pequenos motores elétricos comandados por circuitos eletrônicos para garantir a fluidez - numa tecnologia chamada de “motion control”.
Montando-se uma plataforma rígida, estável e protegida das intempéries para fixação da câmera, também é possível acompanhar por vários dias o crescimento de uma planta, a construção de um edifício, as mudanças no clima, ou mesmo fatos bastante desagradáveis e bizarros como a decomposição de um animal – alguns cientistas fazem isto! Com um pouco de paciência e planejamento pode-se voltar continuamente a um mesmo local e documentar as alterações na paisagem provocadas pelas estações do ano.
Além de modificar o intervalo entre um quadro e outro, é importante observar a diferença na imagem promovida pela velocidade do obturador (shutter). Cuidado! É comum profissionais menos atentos confundirem estes dois ajustes; o número de quadros por segundo (frame rate) altera a percepção da velocidade do movimento (mais lento ou mais rápido), enquanto que a velocidade do obturador (shutter) modifica o tempo necessário para se “sensibilizar” um quadro. Um shutter alto deixa a imagem mais “flicada”, eliminando os rastros de movimento; já um shutter ajustado para efetuar uma varredura durante um maior tempo (valores baixos), ressalta os rastros provocados pela movimentação dos elementos da imagem.
Alterar a percepção do tempo é, sem dúvidas, uma técnica ainda bastante atual, devemos apenas ter cuidado para não cairmos em “modismos”.